quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O medo disse para a coragem:

Escrito por:  Guilherme Pimentel
Por quê você nunca se cansa de arriscar?
A coragem respondeu: Porque independente de dar certo ou não, terei a consciência de que tentei. E quando eu tentar, farei o máximo para conseguir. E quando eu falhar, tentarei novamente.
O medo então falou: Mas todos precisam de mim para alguma coisa. O medo é fundamental. 
E a coragem deu uma resposta definitiva: Todos precisam de você para saberem que a vida não é feita apenas de medo. O medo só põe em alerta, mas a coragem, além de estar indo atrás daquilo que se quer, ah, meu caro, com a coragem todos percebem que o segredo é se arriscar.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

TANTA COISA EU NÃO SABIA...


Escrito por: Clarice Lispector
Nunca tinham me falado, por exemplo, deste sol duro das três horas. Também não me tinham avisado sobre este ritmo tão seco de viver, desta martelada de poeira. Que doeria, tinham-me vagamente avisado. Mas o que vem para a minha esperança do horizonte, ao chegar perto se revela abrindo asas de águia sobre mim, isso eu não sabia. Não sabia o que é ser sombreada por grandes asas abertas e ameaçadoras, um agudo bico de águia inclinando sobre mim e rindo. E quando nos álbuns de adolescentes eu respondia com orgulho que não acreditava no amor, era então que eu mais amava; isso eu tive que saber sozinha. Também não sabia no que dá mentir. Comecei a mentir por precaução, e ninguém me avisou do perigo de ser tão precavida; porque depois nunca mais a mentira descolou de mim. E tanto mentiu que comecei a mentir até a minha própria mentira. E isso – já atordoada eu sentia – isso era dizer a verdade. Até que decaí tanto que a mentira eu dizia crua, simples, curta: 
EU DIZIA A VERDADE BRUTA!...